Médico em hospital africano utiliza peças de carro para realizar as cirurgias

Ele chama-se Evan Atar Adahar e é cirurgião num hospital em Bunj, no Sudão do Sul. Bem, para dizer a verdade, ele é mais do que isso. Ele é quase “mágico”, dado o que consegue fazer com o pouco que tem ao seu alcance.

Sem boas condições para manter o hospital num estado de funcionamento adequado, Evan, de 52 anos, muitas vezes tem que recorrer a peças de carros abandonados como equipamentos durante cirurgias.

O quadro é crítico: não há aparelho de raios-X, os geradores de energia falham constantemente e, na ausência de anestesia, o cirurgião apela a cetamina, substância usada a sedação consciente em emergências pediátricas, endoscopias, cateterismos e radiologia. Mesmo a linha para suturas é feita com ajuda de máquinas de costura…

“Mesmo que falte alguma coisa, eu tenho de realizar as cirurgias. Usamos anzóis como se fossem agulhas. Não posso simplesmente desistir diante da ausência de equipamentos”, disse o médico, de acordo com uma reportagem do Mirror.

Os quadros mais comuns apresentados são de malária, febre tifóide e tuberculose, mas com uma sangrenta guerra civil que ocorreu, o número de baleados atendidos no hospital em questão tem crescido de forma assustadora. O cirurgião tem de dormir numa tenda e só vê a mulher e os quatro filhos três vezes por ano. A família mora em Nairobi, no Quénia.

Para além disso, o Sudão do Sul, que ganhou independência em 2011, é um ambiente hostil para médicos e agentes humanitários, que costumam ser sequestrados e assassinados por milícias. Para terem uma noção, até os civis costumam estar armados até aos dentes. No início deste ano, um grupo armado invadiu o hospital, que recebe apoio da agência da ONU para refugiados (ACNUR), reclamando que o órgão não os estava a empregar.

Apesar dos grandes riscos, Evan, que é nascido no Sudão do Sul, realiza 50 operações por semana. Que exemplo.