Esposas do cartel revelam como é estar no círculo restrito de El Chapo

Ele foi dos mais prestigiados e temidos narcotraficantes desde o tempo de Pablo Escobar, mesmo que tenha finalmente chegado às mãos da justiça. Joaquin ‘El Chapo’ Guzman foi denunciado por Margarito e Pedro Flores, dois irmãos que trabalhavam de perto com ele e que agora se encontram num programa de protecção de testemunhas.

Agora, num livro chamado ‘Cartel Wives’, as esposas desses irmãos falaram sobre tudo pela primeira vez, para descrever como era a vida naquele círculo restrito de um dos mais perigosos barões da droga a nível mundial.

Elas falaram de coisas como os estilos de vida extravagantes ou até do local onde o patrão amealhava tanta riqueza…

“Durante 2005 e 2008, os nossos maridos traficaram 2 biliões de dólares para o México. Nós víamos as casas cheias de dinheiro. Eles tinham paredes hidráulicas como no 007, cheias de milhões de dólares”, disse uma delas.

“Tínhamos um quarto cheio de dinheiro. 1-2 milhões de dólares em notas no meio do quarto, para que pudéssemos utilizar quando precisássemos”.

“Eles tinham trabalhadores em todo o lado, turnos de 8 horas, muitas das vezes eram precisos só para contar dinheiro. Estamos a falar de contar milhões de dólares em notas de 10, 5 e até 1 – dinheiro das ruas”.

Também falaram do luxo em que viviam…

“Se beneficiávamos de tudo aquilo? Se vivíamos bem? Sim, claro que sim. Comíamos bem, viajávamos, ficávamos de férias durante meses perto da praia e aproveitávamos ao máximo mas no fim do dia chegávamos à conclusão de que o que realmente interessava era o amor, a família e a simplicidade”.

Os irmãos Flores eram distribuidores de El Chapo e do seu cartel e foram eles que denunciaram o barão da droga às autoridades.

Os irmãos conheciam praticamente toda a gente, desde os barões da elite passando pelos mais simples passadores. Graças às informações que providenciaram à polícia, em troca de uma sentença reduzida e de protecção, cerca de 50 pessoas foram apanhadas e condenadas.

A verdade é que, por terem denunciado El Chapo, vão viver o resto das vidas com medo: mesmo que estejam num programa de protecção de testemunhas. Um deles disse: “Cada vez que ligas o carro, perguntas-te sempre se ele vai realmente funcionar ou se vai explodir…”

Deve ser um pânico.