Aparentemente, mais de 750 mil pessoas que usam o Tinder têm chatos!

O piolho-da-púbis (Phthirus pubis) – também conhecido como chato – é um parasita considerado o principal responsável por uma das infecções sexuais mais contagiosas, mas raramente mencionada nas pesquisas de saúde: a pediculose pubiana.

Acredita-se que os piolhos pubianos sejam parasitas humanos há mais de 10 mil anos. Há evidências de infestação no período paleolítico, prevalecentes ao longo do tempo. O problema não era restrito aos pobres, sendo que até mesmo a realeza teria sofrido com o parasita. Mesmo a ascensão de saneamento básico e do hábito de tomar banho – surgidos na Grécia Antiga e aprimorados no Império Romano – não foram suficientes para interromper a propagação dos chatos.

Para além dos piolhos pubianos, os piolhos também se adaptaram a novos ambientes, infestando cabeças de crianças em todo o mundo. Enquanto os piolhos se adequaram à vida entre os cabelos humanos, os piolhos pubianos preferem habitats mais quentes e húmidos, como a região genital, normalmente preenchida com abundância de pelos grossos que fornecem um local ideal.

E eis que vem a sua associação com o Tinder…

Algumas estimativas indicam que a taxa de prevalência da infestação por piolhos pubianos em adultos seja de cerca de 1 a 2 por cento. As taxas podem ser um pouco mais altas em indivíduos mais velhos, especialmente homens, e ainda maiores em homens que façam sexo com outros homens. Ou seja, estatisticamente falando, cerca de 750 mil utilizadores ou utilizadoras do Tinder – a famosa app para conhecer pessoas – possuem chatos.

Quais são os riscos para a saúde?

Como esses parasitas se alimentam de sangue humano, eles podem causar irritação na pele, incluindo caroços vermelhos e coceira intensa. A irritação não é causada pelo movimento deles, e sim, quando os piolhos injectam a sua saliva para obter o sangue. Eles alimentam-se algumas vezes por dia, mas felizmente, não estão associados com a transmissão de agentes patogénicos causadores de doenças.

No entanto, há evidências de que o chato possa ser um indicador de outras infecções sexualmente transmissíveis, como a clamídia. Esta relação levou à ideia de que eles talvez indiquem o nível de exposição de um paciente às DSTs. Ao contrário da maioria das outras infecções sexualmente transmissíveis, os preservativos não impedem a contaminação durante o sexo.

E o tratamento?

O tratamento é relativamente simples, geralmente pomadas costumam interromper as infestações. Uma solução rápida é raspar os pelos da região afectada para que o chato desapareça. Porém, é preciso estar consciente que a remoção dos pelos púbicos pode favorecer outros problemas de saúde.