A carta de uma jovem de 13 anos a quem chamaram de p*ta pela sua forma de vestir

Estamos a viver uma época tremendamente complexa no que toca à luta contra o machismo e a sociedade parece estar bem alerta. Hoje, trazemos um caso de uma jovem de apenas 13 anos chamada Jana. Ela vive em Mallorca e, como é normal numa jovem da sua idade, vai à escola todos os dias.

Jana chegou à escola vestida da mesma forma que vamos mostrar a seguir. Uma simples t-shirt e uns calções. Ainda assim, foi motivo para que os seus colegas de escola a chamassem de p*ta quando a viram…

Jana, num infinito ato de maturidade e integridade, decidiu então escrever uma carta ao chegar a casa, uma reflexão sobre tudo o que lhe aconteceu nesse dia e como, apesar de ser uma situação de bullying, se tratava também de um novo caso de machismo.

A carta foi publicada pelo seu pai, Miguel Ángel Barrios, no seu perfil de Facebook e poderes aceder à mesma AQUI. Eis a carta na íntegra:

“Hoje decidi ir para a escola com uma das minhas t-shirts favoritas. Uma que deixava um bocadinho da minha barriga ao descoberto. Também meti uns calções relativamente curtos. 13 anos e os comentários que recebi foram coisas como:

– Porque é que és tão cabra?

– Isso não é demais?

– Na minha opinião, não devias estar assim vestida.

– A tua mãe sabe que vieste assim vestida?

Para além disso, fui chamada de p*ta. Repito, neste dia, por ser mulher e por vestir aquilo que mais me agrada, recebi insultos como “cabra” e “p*ta”. Todos os comentários que recebi foram por parte de MULHERES. Agora, pergunto-me:

Não fomos nós as primeiras a lutar contra isto?

Não fomos nós as primeiras a defender as mulheres?

Não somos nós que estamos numa luta constante contra o machismo e lutamos pela igualdade de direitos?

Não somos nós que lutamos por uma sociedade sem nenhuma diferença entre géneros?

O machismo não é só um homem a tratar mal uma mulher. O machismo também é receber insultos pela forma como estás vestida ou ser julgada por quanta “carne” mostras na opinião de outras mulheres. A sociedade não avança nem recua se continuarmos a julgar-nos e se as mulheres continuarem a ser tratadas como p*tas por terem estado com mais de um homem.

Na verdade, para termos uma sociedade com direitos iguais, as primeiras que temos de defender somos nós. Comentei aquilo que se passou em casa e estou tranquila porque as minhas amigas e quem me quer bem está comigo e gosta de mim. Não deixarei de ser quem sou por causa de umas miúdas mal educadas que só sabem abrir a boca para se meterem comigo.

Não interessa se sou “cabra”, “p*ta” ou “fresca”. Sou quem sou. Dão-me pena porque não respeitam as pessoas do vosso próprio sexo, dão-me pena porque para se sentirem fortes, têm de andar a insultar toda a gente pela sua maneira de vestir. E em grupo, claro. Porque só em grupo são fortes.

Sou tão mulher como vocês e no dia em que quiserem mudar o vosso estilo ou visual, não esperem nenhum tipo de insulto da minha parte. Aprendam a tratar as pessoas por aquilo que elas são e não por aquilo que elas aparentam. Estamos no século XXI e parece que estamos na pré-história, tratando as mulheres como objetos e tudo por um motivo tão simples e pessoal como a maneira de vestir. Em casa, ensinaram-me que ninguém é mais ou menos mulher do que eu por aquilo que vestem.

As vossas palavras fizeram-me refletir sobre quem sou como mulher e também me fizeram pensar em quem são vocês. Como amigas, como pessoas e, sobretudo, como mulheres. Representam tudo o que não quero ser. Agora, reflitam vocês”.

Wow. Com 13 anos.

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